Por César Modesto
Entra ano, sai ano e o passado continua presente. Um passado, geralmente, idealizado, quando tudo parecia mais simples e seguro. O lado bom da nostalgia.
Por isso, as marcas estão sempre relançando e reimaginando produtos icônicos, pois sabem da influência que a nostalgia exerce no comportamento das pessoas.
É o que explica, por exemplo, o crescimento de 136% em vendas de discos de vinil no Brasil, em 2023, segundo relatório da Pro-Música, entidade que reúne as principais gravadoras do país.
Roupas, calçados, eletrônicos, brinquedos, jogos, filmes, novelas e diversos outros produtos também fazem parte dessa extensa lista.
A verdade é que o mercado da nostalgia se trata de mesclar o retrô com o contemporâneo, combinando design clássico com inovações modernas, atribuindo valores como sustentabilidade, autenticidade e exclusividade.
E as redes sociais funcionam como catalisadores desse fenômeno, tanto como estratégia de marketing pelas marcas quanto como ferramentas de engajamento e divulgação espontânea.

Atualmente, as marcas que mais investem em nostalgia consideram, principalmente, dois públicos distintos: um cuja conexão com o passado é emocional e o outro, pela estética. Se pensou nas gerações Y (Millennials) e Z, acertou.
Aos nascidos na transição do mundo analógico para o digital e que cresceram tendo contato com muitos daqueles produtos, esses elementos do passado buscam resgatar memórias afetivas e experiências específicas.
Buscam no passado um refúgio para as incertezas da vida, valorizando a simplicidade das coisas e o conforto de quando eram crianças e adolescentes, sem nenhuma ou com poucas responsabilidades.
Já os mais jovens, que não vivenciaram diretamente àquela época e desconhecem a relação entre um lápis ou caneta esferográfica e uma fita cassete, adotam esses mesmos elementos sob uma perspectiva cultural, vintage.
É um grupo que enxerga o passado como algo ao mesmo tempo divertido e inusitado, que busca pelo novo através do velho, misturando referências e reinterpretando características.
Por fim, o passado também é uma forma de expressar a individualidade. Afinal, o passado tá na moda e sempre estará.